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A multiplicação dos pães

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Salvador Dalì, Cesta di pane, 1926
Salvador Dalì, Cesta di pane, 1926
XVII domingo do Tempo Comum, ano B, 26 julho 2015
Jo 6,1-15

Reflexão sobre o Evangelho por Enzo Bianchi

Introdução geral a Jo. 6

O ordo das leituras bíblicas do ano litúrgico B prevê que, na leitura corrida de S. Marcos, chegados ao episódio da multiplicação dos pães (cf. Mc 6,35-44), se interrompa a leitura do Evangelho mais antigo para o substituir pela leitura do mesmo episódio narrado pelo quarto Evangelho. Durante cinco domingos lê-se o capítulo sexto de João, um texto que exige uma breve introdução.

Na verdade este capítulo, todo centrado no tema do "pão da vida" que não aparece em nenhum outro lugar, parece um assunto isolado no curso da narrativa de João. Com probabilidade trata-se de um trecho adicionado mais tarde para dar à Igreja Joanina uma catequese sobre a Eucaristia, cuja narração falta no quarto Evangelho, e é substituída pelo trecho do lava-pés (cf. Jo 13,1-17). Se esta hipótese for mesmo verdadeira, este capítulo torna-se ainda mais importante porque tratando-se do tema da Eucaristia conclui-se com a confissão da identidade de Jesus: para os Judeus é o filho de José, simplesmente um homem da Galileia (cf. Jo 6,42), enquanto Jesus declara ser Filho de Deus que é seu Pai (cf. Jo 6,40); e isto é confirmado por Pedro e pelos outros discípulos que reconhecem n'Ele "o Santo de Deus" (Jo 6,69).


 

Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades.
Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes.
Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos.
Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe:
«Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?»
Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer.
Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um».
Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro:
«Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas que é isso para tanta gente?»
Jesus respondeu: «Mandai sentar essa gente».
Havia muita erva naquele lugar e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil.
Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes;
E comeram quanto quiseram.
Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos:
«Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca».
Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido.
Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer:
«Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo».
Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.

Uma grande multidão segue Jesus porque Ele deu alguns sinais, curando os doentes. Esta parece ser a hora do sucesso para Jesus que renova as maravilhas do Êxodo e as ações dos Profetas, assentes em Israel desde há pelo menos cinco séculos. Na realidade trata-se de uma multidão incrédula e aquele "grande ajuntamento" resulta na distância crescente entre Jesus e todos os que corriam atrás d'Ele em busca do extraordinário mas sem escutar a sua Palavra. Também daquela multidão Jesus sente compaixão e quer saciá-la com alimento. O Evangelista faz notar que a festa da Páscoa estava próxima pelo que se trata de uma hora de vigilância (como acontecerá para a instituição da Eucaristia de acordo com os Sinóticos!). A Páscoa era também a festa da oferta das primícias, das primeiras colheitas de cereais destinados a tornarem-se pão (cf. Ex 9,31; Rt 1,22, ecc.). Mas o alimento que Jesus quer dar não pode ser comprado na padaria, nem sequer se pode pagar de forma justa como Filipe pensa...

Agora Jesus está presente, o profeta escatológico, bem mais do que Eliseu que tinha multiplicado os pães de cevada (cf. 2Re 4,42-44). Um outro discípulo, André, realça a presença de um rapazito que tem consigo cinco pães de cevada (os pães primícia) e dois peixes. Eles são apresentados a Jesus, e não ao Templo, e através daquela oferta Ele cumpre um sinal: estes pães e estes peixes partilhados saciarão todos, num banquete pascal, primaveril, que vê tanta gente estendida na erva do prado como no banquete escatológico, como num banquete pascal celebrado por pessoas livres, não escravas. Aquela multidão é imensa, constituída por mais de cinquenta mil pessoas, mas o alimento que Jesus oferece chega para todos: na vida cristã tem-se sempre pouco, mas o pouco partilhado chega para todos!

A ação levada a cabo por Jesus é aquela que os Sinóticos realçam, seja na multiplicação dos pães (cf. Mc 6,30-44 e par.; 8,1-10; Mt 15,32-39) seja na instituição da Eucaristia durante a ceia Pascal (cf. Mc 14,22-26 e par.) ou na refeição do Ressuscitado com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,30):

Jesus toma o pão e, depois de ter dado graças, feito eucaristia (eucharistésas),
distribui-o aos comensais, e fez o mesmo com os peixes, a todos que o queriam.

Esta é a ação eucarística de Jesus mas é também a renovação dos prodígios com que Deus deu o maná ao seu povo no tempo do êxodo (cf. Ex 16), é também a ação de Deus pastor que faz repousar o seu povo em pastos de erva verdejante (cf. Sal 23,2) e é também a renovação do gesto profético de Eliseu.

Assim toda aquela multidão é saciada por Jesus com tal abundância que comeram “quanto quiseram” e ainda sobraram doze cestos. Mas esta ação de Jesus é um sinal (semeîon), não é simplesmente um milagre extraordinário: um sinal no sentido em que exige da multidão a capacidade de se focarem não no pão mas em quem o dá, de não ficarem a olhar o milagre mas aquele a quem o milagre indica. A multidão, por sua vez, maravilhada pelo milagre, sente realizadas as suas expectativas. Sabia que, segundo a Lei, o Senhor suscitaria um Profeta como Moisés(cf. Dt 18,15), e está pronta a reconhecê-lo em Jesus; espera, contudo, que Ele se manifeste como um Rei, como um poderoso deste mundo. Era assim então e é assim hoje. Diante de uma ação grandiosa os seres humanos estão dispostos a reconhecer que quem a cumpriu foi um Profeta prometido e enviado por Deus mas este deve comportar-se como os poderosos deste mundo, para poder derrotá-los com as suas armas e para os poder libertar…

O sinal dado por Jesus revela-se, portanto, como um falhanço. A multidão não entende Jesus, interpreta-O e quere-O de acordo com os seus próprios desejos e projeções, não está disposta a aceitar um Messias, um Profeta ao contrário: um homem manso, um servo do Senhor e dos homens que pede que compreendam o significado daquele pão dado em abundância. É significativo que João escreva que “sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei”, isto é, que queriam fazer d'Ele um objeto, um ídolo segundo os seus desejos, queriam um Messias com outro estilo, com um programa messiânico mundano. Mas Jesus recusa aquele poder que lhe querem dar e foge, tal como havia fugido das tentações do deserto (cf. Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Lc 4,1-13). Retira-se para a solidão da montanha, discernindo a ilusão de um aparente sucesso, que não pode nem desejar, nem aceitar. Subindo aquele monte sozinho e deixando no vale os discípulos, também eles incapazes de compreender, Jesus, com infinita compaixão, repetia: “Não compreenderam nada, continuam a não compreender nada”, e certamente confiava-os ao Pai…

No fim desta leitura devemos sentir que aquela multidão somos nós, sempre facilmente religiosos mas sempre dificilmente crentes, sempre à procura de um Deus que se impõe e reivindica: o Deus fabricado pelos nossos desejos e pelas nossas ânsias, não aquele que Jesus nos procurou revelar como único Deus.