A Visitação, sinal de presença


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Olio su tela
ARCABAS, Visitação
Avvenire, 3 fevereiro 2013

de ENZO BIANCHI
Uma memória evangélica para que a Igreja não esqueça que, mesmo quando faz a estrada de Maria até junto de Isabel, à sua chegada encontrará já o Espírito Santo presente

 
 
Avvenire, 3 fevereiro 2013
de ENZO BIANCHI

Nos escritos do Ir. Christian, o Prior de Tibhirine, raptado e assassinado com os seus 6 irmãos na primavera de 1996, há um assunto que é recorrente quando os relemos e que nos oferece uma chave de leitura preciosa para perceber o quanto a mensagem daquela pequena comunidade trapista presente no coração do Islão algeriano pode, hoje, ser memória evangélica para toda a Igreja, mesmo a europeia, envolta numa contestação social pós cristã. Este assunto é o da Visitação de Maria a Isabel. 

Dizia o Ir. Christian em 1977: “Nestes últimos tempos convenci-me que o episódio da visitação é o verdadeiro lugar teológico da missão, no respeito pelo outro, que o Espírito Santo já investiu". Gosto de uma frase de um autor que resume isto muito bem: “Jesús é o que acontece quando Deus fala sem obstáculos ao coração de um homem". Por outras palavras quando a Deus é permitido falar e agir sem obstáculos, este homem fala e age como Jesús. Emerge aqui o estilo de uma “missão” que respeita o outro, reconhecendo-o já como iluminado, investido do Espírito, e como tal, capaz de reconhecer os sinais da presença de Cristo em todos os que se fazem próximo, para oferecer-lhe - como prescreve a regra de S. Bento - “omnis humanitas”, cada gesto possível de solidariedade humana.

Anos mais tarde, por ocasião da profissão simples de um dos seus irmãos, a homilia do Ir. Christian propõe um ainterpretação muito original do "sim" de Maria a que se sucede a "subida" de Maria para se encontrar com Isabel, grávida de João Batista. “Eis Maria,professa simples porque o seu "sim" é muito recente, lança-se à estrada em direção à montanha para fazer o noviciado da sua maternidade universal. Maria destinada a transportar Cristo em si, fora da sua casa, como cada um de nós, e a servir humildemente para que o Espírito faça brotar o filho de Deus ainda em gestação no outro”. É o serviço gratuito prestado ao outro que faz germinar o que o Espírito já fez no outro.

Mais tarde ainda, o Ir. Christian dirá: “O mistério que vivemos na Argélia é mesmo o da hospitalidade recíproca mais completa. O Espírito Santo está sempre com quem tem Maria consigo. É importante que a Igreja ponha este mistério da Visitação sempre mais no centro da pressa que nos leva ao outro, isto é a cada ser humano". A pressa que leva o cristão até ao outro é a da solicitude,de tomar conta do outro a ponto de não atrasar a superação da necessidade. O cristão conhece a "pressa escatológica" para retornar ao Pai, mas esta é também uma pressa para que o outro tenha a possibilidade de encontrar o Senhor fazendo-se próximo da parte dos discípulos de Senhor. É então que a Igreja descobre a própria missão, com dizia P. Rault, bispo do Sahara: “A missão, sobre a ação do Espírito Santo é a confluência de duas graças: uma concedida ao enviado e outra ao chamado”.

Mi sembra questo uno dei lasciti più preziosi della testimonianza fino alla morte offerta dai fratelli di Tibhirine: una memoria evangelica perché la chiesa intera non dimentichi che anche quando compie tanta strada, in salita, di corsa, come Maria verso Elisabetta, al suo arrivo troverà lo Spirito santo già presente, troverà l’altro verso il quale si china già abitato dalla presenza del Signore, in attesa solo di qualcuno che lo renda consapevole del dono gratuito che Dio offre a ogni essere umano.

ENZO BIANCHI